O Natal, para mim, já não tem aquela magia que tinha quando era criança, adolescente e até já adulta, por diversas razões. A família afastou-se, não há comunicação, e os Natais já não são em Cascais, como eram antigamente. Tudo mudou, assim como o vento muda constantemente de direção.
Chega a uma certa altura em que só tenho de aceitar as coisas como estão, sem mexer em nada, sem tentar resolver o que não pode ser resolvido. Já tentei por mim, mas se não querem, não volto a insistir onde não sou bem-vinda e acolhida.
Gostaria de poder, lá no fundo, acreditar que ainda resta um pouco de esperança de que um dia possam gostar de mim por aquilo que sou, e não por aquilo que querem que eu seja — física e emocionalmente. Não esta indiferença total que depositam em mim. Divergências? Todos temos. Egos? Sim. Mas há coisas que é melhor deixar para lá.
A tristeza essa permanece — pela vida que tive, pelo pouco que vivi e pelo pouco que me foi dado. Muita mágoa ainda aqui dentro, muita coisa para curar… e nem sei se esta vida chega para tanto.
Por vezes penso que nunca gostaram de mim e que nunca fiz falta a ninguém. Sempre estranhei que as minhas fotografias, sozinha, nunca estivessem nas cómodas ou nas paredes da casa da minha tia Margarida. Estavam sempre lá as queridas dela, a Niky e a Madalena, e os respetivos maridos. Se havia uma foto das três juntas, tirada à lareira todos os Natais, era só essa que lá estava.
Eu sempre de fora. E se eu tinha fotografias giras.
Por isso, nem sei se alguma vez gostaram de mim. Se fosse modelo, talvez — chique e com dinheiro — aí talvez gostassem mais.
Os Natais eram antigamente, quando era criança. Chegava o verão e eu já contava com o Natal, na Quinta, todos juntos, ainda com alguma inocência. Isso sim, eram Natais. Sempre amei o Natal. Mas, com tudo o que se tem passado na minha vida e a forma como tem sido — e como está — já não quero saber. É hipocrisia, tudo interesses hoje em dia.
Deixei de ter aquela luz mágica do Natal, mas adoro ver os filmes e a comida típica de Natal — isso não dispenso.
É mais um…
Com esta tristeza e melancolia que se apoderam de mim. Se ao menos soubesse que sou amada por alguém, já me faria feliz.
Amar-me a mim mesma, eu amo. Só não amo o que realmente está dentro de mim neste momento. Vazio… mas ainda com uma esperança lá no fundo de voltar a ser aquela Joana cheia de vida, com alegria de viver e cheia de sonhos para conquistar.
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