segunda-feira, 11 de maio de 2026

Porquê???

A minha vida as vezes parece um karma. 
Não tenho alegria, mas tenho motivação para superar obstáculos e lutar por aquilo que quero custe o que custar e doa a quem doer. Já tenho sofrimento a mais no meu coração e alma. 
Alma sofrida, coração não ouvido, coração não apreciado e coração não amado, coração que tem medo de se entregar e de ser rejeitado. 
Fui habituada a isto ...  à rejeição e custa curar uma ferida tão dura quanto está. Rejeição e abandono. 
Não sou o suficiente para ninguém mas tenho que meter na cabeça que sou o suficiente para mim e isto basta. 

Vou vivendo como posso buscando pequenos prazeres exporádicos e lutar pelo que um dia vai ser meu, meu lugar no trabalho e no amor. 

A Joana de antigamente era acolhida e amada em criança, em adolescente magoada e rejeitada, em adulta à deriva mas com sede de lutar e vencer. Ainda não cedeu ao desespero e á desistência da vida. 

O mundo dá muitas voltas... Enquanto há vida há esperança ...

E assim se vai vivendo... 


segunda-feira, 30 de março de 2026

A doce memória!

 


Na casa da Avó Cesaltina, em Samora Correia. 
Gostava de ir passar os fins de semana com ela lembro-me que esperava ansiosamente pelo fim de semana que era dividido entre uma avó e a outra. 
A minha avó, carinhosamente chamada de Tina estava sempre rodeada de flores do seu canteiro, cuidava do seu jardim como ninguém, desenhava e pintava que era uma beleza de se ver um talento que só visto para ser admirado, um dia pedi-lhe para me ensinar a desenhar de raíz e pintar... Não durou nem uma hora para eu desistir nunca tive jeito. Fazíamos programas divertidos, saíamos imenso para passear cada fim de semana era um sítio diferente para passear ou ficávamos em casa. Ela deu-me o meu primeiro cão o Kiko, tinha eu 11 anos, era um cão de água x galgo afegão, este cão tem uma história incrível na minha família, um dia faço-lhe um e-book das suas asneiras e peripécias intermináveis. 
Ela tinha dois cães bichon maltez, o Kiko e a Sissi, mal me viam a chegar ficavam doidos e eu sempre cheia de saudades de os ver, a sissi coitada fazia xixi no colo de tanta felicidade de me ver e o Kiko era a minha loucura, eram Branquinhos como neve umas delícias. O meu era Preto e era o Kiko I e o dela era Kiko II. 
Adorava os mimos dela quando eu fazia a sesta e ia-me levar o lanche ao quarto, ou era um sumo e um bolycao, sim, porque eu ia para lá para não fazer nada e ser mimada, quem não gosta?
Ainda tinha o Jacó, o famoso papagaio que quando estava sozinho assobiava igual ao Victor, acordava a rir com o raio do papagaio. 

Isto para dizer que ainda tinha duas avós, ainda tinha liberdade, não havia distanciamentos, tudo era ouro. Hoje vejo que ela tinha razão, gostava de ordem. Para o fim, agi mal, mas com isto aprendi uma coisa que se ouve sempre os dois lados e nunca um só... É duro aprender quando já se faz tarde, mas, antes tarde, do que nunca.. porque o nunca já faz parte do ego e do orgulho. Reconhecer que errámos é um ato de humildade e humanidade para nós mesmos.

Foi ontem no mês de Janeiro no ano de 2009, estava eu, no meu primeiro trabalho quando recebi o telefonema.

Foi há 17 anos.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

O Canto das Memórias

Portugal está a sofrer. As águas do Mondego romperam barreiras que pareciam invioláveis, e a estrada desabou, engolida pelo caudal impiedoso. Olho para estas notícias e sinto um nó na garganta. Todos lamentamos as casas perdidas, os bens arruinados, a vida posta em risco. Mas eu… eu sinto outra perda, silenciosa e profunda: 

a minha Quinta.

- O meu lugar de memórias, o meu refúgio, o meu espaço onde cada canto guardava uma história,sorrisos, momentos meus e onde podia ser eu e escapar do mundo cruel. 

Hoje, ao imaginar a água a subir, a inundar o chão que conheço de cor, sinto um aperto no peito que não consigo ignorar. A Quinta já não é minha há 18 anos, já não é o meu lugar de pertencimento, o meu mundo. Provavelmente ainda se mantém em pé, ou talvez tenha cedido, levando consigo pedaços da minha história, do meu riso, das minhas pequenas alegrias, das minhas idas secretas ao escritório do meu avô sentar-me na cadeira dele e sentir a sua presença, o respeito e horas de trabalho. 

É egoísmo, admito. Não posso deixar de me preocupar com este pedaço de terra que já não me pertence. Porque, para além de tudo o que Portugal perde nestas cheias, eu temo perder também a memória viva do meu espaço, que já não posso chamar de meu. 

Que cada casa destruída encontre reconstrução, cada vida afetada encontre conforto. E que, no meio de tanta água e tristeza, haja também a esperança de que a memória dos lugares que amamos nunca se afogue, nem que o mundo se volte contra eles.

Porquê???

A minha vida as vezes parece um karma.  Não tenho alegria, mas tenho motivação para superar obstáculos e lutar por aquilo que qu...