Na casa da Avó Cesaltina, em Samora Correia.
Gostava de ir passar os fins de semana com ela lembro-me que esperava ansiosamente pelo fim de semana que era dividido entre uma avó e a outra.
A minha avó, carinhosamente chamada de Tina estava sempre rodeada de flores do seu canteiro, cuidava do seu jardim como ninguém, desenhava e pintava que era uma beleza de se ver um talento que só visto para ser admirado, um dia pedi-lhe para me ensinar a desenhar de raíz e pintar... Não durou nem uma hora para eu desistir nunca tive jeito. Fazíamos programas divertidos, saíamos imenso para passear cada fim de semana era um sítio diferente para passear ou ficávamos em casa. Ela deu-me o meu primeiro cão o Kiko, tinha eu 11 anos, era um cão de água x galgo afegão, este cão tem uma história incrível na minha família, um dia faço-lhe um e-book das suas asneiras e peripécias intermináveis.
Ela tinha dois cães bichon maltez, o Kiko e a Sissi, mal me viam a chegar ficavam doidos e eu sempre cheia de saudades de os ver, a sissi coitada fazia xixi no colo de tanta felicidade de me ver e o Kiko era a minha loucura, eram Branquinhos como neve umas delícias. O meu era Preto e era o Kiko I e o dela era Kiko II.
Adorava os mimos dela quando eu fazia a sesta e ia-me levar o lanche ao quarto, ou era um sumo e um bolycao, sim, porque eu ia para lá para não fazer nada e ser mimada, quem não gosta?
Ainda tinha o Jacó, o famoso papagaio que quando estava sozinho assobiava igual ao Victor, acordava a rir com o raio do papagaio.
Isto para dizer que ainda tinha duas avós, ainda tinha liberdade, não havia distanciamentos, tudo era ouro. Hoje vejo que ela tinha razão, gostava de ordem. Para o fim, agi mal, mas com isto aprendi uma coisa que se ouve sempre os dois lados e nunca um só... É duro aprender quando já se faz tarde, mas, antes tarde, do que nunca.. porque o nunca já faz parte do ego e do orgulho. Reconhecer que errámos é um ato de humildade e humanidade para nós mesmos.
Foi ontem no mês de Janeiro no ano de 2009, estava eu, no meu primeiro trabalho quando recebi o telefonema.
Foi há 17 anos.
