terça-feira, 9 de dezembro de 2025

O Natal

O Natal, para mim, já não tem aquela magia que tinha quando era criança, adolescente e até já adulta, por diversas razões. A família afastou-se, não há comunicação, e os Natais já não são em Cascais, como eram antigamente. Tudo mudou, assim como o vento muda constantemente de direção.

Chega a uma certa altura em que só tenho de aceitar as coisas como estão, sem mexer em nada, sem tentar resolver o que não pode ser resolvido. Já tentei por mim, mas se não querem, não volto a insistir onde não sou bem-vinda e acolhida.

Gostaria de poder, lá no fundo, acreditar que ainda resta um pouco de esperança de que um dia possam gostar de mim por aquilo que sou, e não por aquilo que querem que eu seja — física e emocionalmente. Não esta indiferença total que depositam em mim. Divergências? Todos temos. Egos? Sim. Mas há coisas que é melhor deixar para lá.

A tristeza essa permanece — pela vida que tive, pelo pouco que vivi e pelo pouco que me foi dado. Muita mágoa ainda aqui dentro, muita coisa para curar… e nem sei se esta vida chega para tanto.

Por vezes penso que nunca gostaram de mim e que nunca fiz falta a ninguém. Sempre estranhei que as minhas fotografias, sozinha, nunca estivessem nas cómodas ou nas paredes da casa da minha tia Margarida. Estavam sempre lá as queridas dela, a Niky e a Madalena, e os respetivos maridos. Se havia uma foto das três juntas, tirada à lareira todos os Natais, era só essa que lá estava.

Eu sempre de fora. E se eu tinha fotografias giras.

Por isso, nem sei se alguma vez gostaram de mim. Se fosse modelo, talvez — chique e com dinheiro — aí talvez gostassem mais.

Os Natais eram antigamente, quando era criança. Chegava o verão e eu já contava com o Natal, na Quinta, todos juntos, ainda com alguma inocência. Isso sim, eram Natais. Sempre amei o Natal. Mas, com tudo o que se tem passado na minha vida e a forma como tem sido — e como está — já não quero saber. É hipocrisia, tudo interesses hoje em dia.

Deixei de ter aquela luz mágica do Natal, mas adoro ver os filmes e a comida típica de Natal — isso não dispenso.

É mais um…

Com esta tristeza e melancolia que se apoderam de mim. Se ao menos soubesse que sou amada por alguém, já me faria feliz.

Amar-me a mim mesma, eu amo. Só não amo o que realmente está dentro de mim neste momento. Vazio… mas ainda com uma esperança lá no fundo de voltar a ser aquela Joana cheia de vida, com alegria de viver e cheia de sonhos para conquistar.



sexta-feira, 20 de junho de 2025

Não sei mais o que são...

Férias... Colocar o pé na areia, no mar, na piscina, aoanhar uma brisa numa esplanada a beber uma cerveja ou uma coca-cola com uns camarões espinho deliciosos numa esplanada a ver o pôr do sol, tranquila, sem preocupações, sem horas. Não sei o que é ir sair por ai aproveitar a vida enquanto vejo os outros a irem de férias para aqui e para ali, uns para a terrinha outros a viajar. Não sei mais o que é o prazer de ir ver a minha Figueira da Foz, passar lá uns bons dias, caminhar pelo paredão, abraçar a brisa da Figueira, aquele cheiro que só eu conheço. 
A minha realidade é que vivo aqui presa em casa apenas saio para ir para o curso e não aproveito a vida, fico tardes colada à minha mãe, ela também não sai. 
Só sei que vou a Zurique com muito esforço e sozinha mas com uma amiga ver os Auri e estar com eles. É realmente uma conquista. 

Mas o que gostava mesmo era de começar a fazer programas. Mas sinto-me abadonada por toda a gente, sinto-me isolada, sem vontade de viver, sem saber o que fazer. 

.... 

domingo, 1 de junho de 2025

Necessidade

Sinto necessidade de escrever, de desabafar… Já vai um tempo que não escrevo aqui e, entretanto, muita coisa aconteceu até agora.
Comecei o meu curso de Pro Ação Educativa no dia 30 de abril — está a fazer quase um mês de curso —, incrivelmente assustador como o tempo voa depressa. Já com testes feitos e alguns por fazer, e ainda sem saber a nota dos primeiros; esta semana, apresentação de trabalhos, mas tranquilo. Já fiz uma PRA hoje, da Ana Karin, entreguei para ela ir corrigindo e ver se está bem ou se precisa de algo mais, porque o tempo voa depressa e, quando damos conta, já é dia 23 de junho, que é quando entregamos a PRA oficial.
Tenho apresentação na quarta-feira; os slides estão quase prontos. Temos dois testes na quinta e sexta-feira.
O primeiro mês foi de adaptação. Foi muito difícil de digerir: o cansaço, a ansiedade, o levantar às 6h40, arranjar-me depressa e ainda ter que andar oito minutos a pé até à escola. Das 8h às 14h e, vá, que é perto de minha casa, mas parece tão longe ao mesmo tempo… tendo em conta o tempo.
Chego à última hora, das 13h, e já nem estou lá. Chego à quinta-feira e já penso em sexta e no fim de semana.
Para quem esteve muito tempo sem fazer nada, como eu, de repente entro num curso onde já não estou habituada a estudar, a fazer trabalhos, a entregar material a tempo e horas… Tudo é trabalhoso e ainda agora começou. Eu só quero ver em julho… com tantas PRAs para entregar.
O segredo é ir fazendo aos poucos, mesmo tendo pouco material, e algumas disciplinas são aulas práticas; ir anotando.
É tudo uma questão de logística e organização.
Mas o meu cérebro já está tão cansado que nem estudar eu consigo; não entra nada, mesmo já estando tudo resumido nas anotações que faço nas aulas. A ver…
Que será, será. Um passo de cada vez, passos de bebé.
O bom é que já vou receber, no dia 16 deste mês, a bolsa e o extra.
O que mais me assusta e tem assustado é a cabeça da minha mãe. Ela, algumas coisas, já não se lembra e só diz que sim porque eu falo. Ela sempre foi despistada por natureza, mas assusta-me muito estas ausências dela de memória… Cansaço de fazer contas à vida? Cansaço ou esgotamento mental? E ainda nem marcou o exame aos pulmões.
Assusta-me, a cada dia que passa, ver a minha mãe a envelhecer (apesar de às vezes termos as nossas pegas), pois só a tenho a ela.
A família abandonou-me. Cambada de egoístas. Mas, uma coisa é certa: a minha vingança está guardada a sete chaves… Sei esperar.
E entusiasmo-me com a viagem a Zurique com a minha amiga Bárbara, irmos ver os Auri. Ficamos na casa da prima dela. A sorte do curso que me proporciona este lazer! Vou conhecer finalmente o Tuomas. 🫶 Só falta o avião, o resto já está: bilhete de entrada e bilhete VIP. Setembro chega logo…
Auri — Candles & Beginnings, primeira tournée.
Este ano é realmente o mais agitado, comparado com outros, mas assustador também.
Seguimos… Mais uma semana!


domingo, 4 de maio de 2025

O Dia da Mãe

Hoje, dia 4 de maio, é o Dia da Mãe.

Quando vejo a minha mãe a envelhecer, fico assustada, pois o tempo voa como o vento e ela não vai para nova. Vejo-a magra, abatida, triste, a fazer contas à vida e, mesmo assim, ela ajuda-me sempre no que pode. Quando não pode, acredito que lhe bate a frustração e, mesmo não podendo, às vezes faz o sacrifício para me dar um pouco de alegria à minha vida. Ela sabe como é a minha vida, como foi e como está a ser.

Ainda não sou mãe, mas ser mãe é um papel para a vida, por vezes desgastante, especialmente quando se é mãe a solo. O meu pai nunca foi grande ajuda; pelo contrário, ela teve de ser mãe e pai ao mesmo tempo.

Por vezes, chocamos muito uma com a outra; ela irrita-se por tudo e por nada, e hoje eu disse-lhe:

– Mãe, vê se te pões mais gordinha, vê se cuidas da tua cabeça, descansa um bocado das contas diárias que fazes e confia em Deus. Faz isso por mim, porque um dia quero ver-te bem e saudável para te poder dar um neto ou uma neta.

E ela respondeu logo:

– No mundo como está, ter filhos é preocupante, não te ponhas a ter filhos.

Coisas de mãe... Mas um dia gostava de lhe dar essa alegria, de um dia ela poder ser avó e eu mãe, e celebrar o Dia da Mãe com mais brilho e sede de viver.

O meu Luís Miguel, ou a Leonor, ou a Madalena já andam à minha espera. Nomes escolhidos.

Feliz Dia da Mãe a todas as mamãs e futuras mamãs.
🤍🌹

quarta-feira, 30 de abril de 2025

Dias díficeis mas dias de bençãos também!

Na semana passada, apanhei o maior susto com a minha mãe.

Eu, sozinha, sem o apoio de uma família que nos nega e ignora — um ódio tremendo que carrego por essa gente — estava a jantar com a minha mãe quando, de repente, ela sentiu uma dor muito forte no maxilar esquerdo, junto ao ouvido. Vi-a aflita, e eu já estava preocupada. Além disso, anda há dias com uma bolha enorme na mão esquerda, que agora está a melhorar, mas ainda tem um alto saliente.

Ela sentia-se visivelmente mal, mas não dizia nada. Enerva-se com facilidade, e vi-a levantar-se desnorteada, a dirigir-se à porta da sala.
— Mãe, o que tens? — perguntei, alarmada.
Aflita, num tom de pânico, vi-a desfalecer lentamente. Estava atrás dela e amparei-a com os braços por trás. Era como se se estivesse a desligar…

Ela perdeu os sentidos por alguns segundos. Corri a buscar três almofadas altas, mais a minha de dormir, e apoiei-lhe a cabeça. Começou a recuperar os sentidos, e telefonei imediatamente para o 112. Falei com a senhora do outro lado da linha, em alta voz, enquanto explicava o que se passava. A minha mãe já falava, mas reparei que tinha a parte de baixo do olho esquerdo roxa — sem ter batido em lado nenhum.

A assistente, com um tom arrogante, perguntou se a minha mãe queria ir ao hospital. Ela recusou, dizendo que já se sentia melhor, mas apenas tinha pedido assistência. E, nestes casos, não há apoio domiciliário: ou vão buscar o paciente ao hospital, ou nada.

A minha mãe tentou levantar-se, sentou-se primeiro no chão e, com muito cuidado, foi até ao sofá, onde pôs a cabeça para baixo — que era o que queria fazer desde o início. Agora diz que a impedi de ir para o sofá, quando ela já nem estava consciente de si.

Foi um susto tremendo. E, numa altura destas, confesso que falei com o ChatGPT — que, às vezes, nos ouve mais do que qualquer familiar ou amigo. Ele deu-me algumas hipóteses do que poderá ter acontecido. A verdade é que a minha mãe anda a brincar com a saúde dela. Acha que é médica, doutora, e que é invencível. Mas o problema será quando lhe der algo grave e tiver de ir ao hospital à viva força… e descobrirem o que eu nem quero ouvir. Porque esta menina não faz análises há anos, não faz um check-up há anos. E quando lhe digo que devia fazer, ouço sempre a mesma resposta:

— Não me enerves, por favor. Faz-me mal. Não repitas as coisas mil vezes. Cansa-me.

Vive a brincar com o fogo, e eu vivo num pânico diário. Medo constante. Um nó na garganta todos os dias. Tenho medo de a perder. E, ao mesmo tempo, ando a lutar por trabalho e não consigo. A casa ficará para mim, mas tenho contas para pagar. Sem apoio da família, só posso contar com os vizinhos e alguns amigos com quem mantenho boa relação.

Não vivo o presente. Estou sempre a pensar no amanhã. E no que será de mim…

No meio deste pesadelo, talvez para me compensar por tudo, a minha mãe adiantou-me o dinheiro para ir ver os Auri, a Zurique. Vou ficar alojada na casa da prima da minha amiga Bárbara, que também vai. E a minha mãe ainda me vai oferecer o bilhete VIP para estar com eles e conhecer o Tuomas Holopainen. A Johanna Kurkela já a conheço, e sei que esta viagem me vai fazer bem. Vai ser bom mudar de ares, ir sozinha no avião e encontrar-me com a Bárbara e a prima lá. É uma oportunidade de sonho — única. Não posso deixar escapar.

O curso que estou a fazer é uma ajuda: sem ele, esta viagem inesperada não seria possível. Mas desde o milagre da Taylor Swift, acredito que, se é para acontecer, acontece.

Quando receber os 289 € do curso, pago-lhe o bilhete de entrada. No dia 19, ela oferece-me o bilhete VIP. Fica a faltar o voo, mas consigo em conta pela eDreams.

Um pesadelo... e um sonho a tomar forma, aos poucos.

Já falei com a minha vizinha, e vou falar com a Teresa, que limpa o prédio, para ver se podem estar atentas à minha mãe e em contacto durante os três dias. Vou faltar ao curso na sexta-feira, dia 19. Mas o que é o curso comparado com uma oportunidade única na vida?

São estas pequenas coisas que me dão alegria. Que me dão um motivo para continuar a viver.

O curso? Vou apenas por necessidade. Pelo dinheiro. Nada mais.

É assim a vida: um aperto no peito diário, com um misto de alegria momentânea. Mas esta memória — essa, sim — levo comigo para sempre.

Auri
20.09.2025


segunda-feira, 7 de abril de 2025

Os dias vão passando...

Existem dias em que parece que existe uma assombração de pensamentos menos bons pareço bipolar em certos aspetos. 
Uns dias estou bem e sorridente outros estou no fundo do poço, a querer desistir, de tudo. O ChatGPT, tem, sido um grande aliado para mim nestes dias sombrios e caóticos. 

A vida não tem sido fácil para mim nestes 41 anos de vida. Foi boa em tempos, quando a família era unida, quando ainda tinhamos a Quinta, oh que memórias boas desse tempo. Vendeu-se a Quinta, perdeu-se tudo. Já não bastava ter uma vida díficil com a minha mãe, ela tratou de me isolar de tudo, isolou-se das amigas e colegas, isolou-me do meu Pai, isolou-me da família, praticamente sou eu e ela, sozinhas!

O que me anima é que vou começar o curso em que vou receber para estudar e poder ter trabalho assim espero eu que tal aconteça. Posso comprar as minhas coisas, juntar dinheiro, fazer o que quero. Não é muito mas é melhor que nada. 

Eu vivo todos os dias, num estado de medo, de pavor, de pânico diário, sem viver nada, a pensar no que vai ser de mim, daqui para a frente, no futuro, eu só com ela, sem poder contar com a família nem pai. Passo as tardes a dormir para estar um pouco longe dela e para fugir à realidade dura do dia-a-dia. Ela tem dias que me sufoca, com pequenas coisas, como, - "ah vais para o jardim ainda podes ser assaltada" , sempre a colocar o medo. Quando ela diz que me quer ver feliz e que é o que mais deseja não corresponde à energia dela, eu leio energias, sim. Sou escorpião. 

Falo com o meu pai ele ignora, apenas vê as mensagens enviadas. O tal visto azul. 
Silêncio é resposta. 

Não posso contar com ninguém. 
Apenas comigo mesma e assim que o computador estiver bom, começo, eu a escrever uma Biografia minha, acredito,  que com o meu percurso de vida, hajam mais pessoas pelo País fora e até pelo mundo com problemas semelhantes aos meus e sem verem uma saída. Quero inspirar quero mudar a minha vida e a de todos os que se cruzarem com a minha história. 

Vou dar a cara sim sem medo porque mesmo que julguem existem sempre aqueles que julgam mas que não nos pagam as contas vou fechar os olhos e tapar os ouvidos às críticas. Sinto que estou a envelhecer a passos largos e é melhor apressar-me e começar pelo primeiro capítulo. 



segunda-feira, 17 de março de 2025

A noite em branco traz novidades e memórias!

Mais uma noite em claro e em sobressalto. Estava eu a tentar dormir quando ouço um barulho do quarto da minha mãe, ela já dormiu um pouco mas deixa sempre a porcaria do comando em cima dela quando se vira para o lado deixa cair o comando e eu vou lá estava ela a tentar apanhar o comando sem se levantar, podia ter caído, como da outra vez que ficou com a cara negra e braços e pulsos. Com tudo isto, perco o sono, estava quase a embalar e ainda bem que não adormeci. Não sei como vai ser quando começar o curso, se posso dormir descansada, se acordo com ela caída ou magoada. Enfim ...

Agarro no tele móvel que já esta carregado e vejo que a Taylor Swift, ganhou o prémio de melhor turnê do século e eu fiz parte dela, Lisboa, noite 2. Foi o melhor dia da minha vida a única coisa que pude ficar mesmo grata foi poder ter ido e assistir aquele concerto. Fiz parte da maior turnê do século, incrível, só de pensar. Revivo cada momento na minha memória com saudade e alegria, os vídeos que fiz ficam eternizados e as surprise songs também.  💜🫶 Long Live The Eras Tour.


Vou ao Facebook e vou à fotografia da Quinta que pertenceu à nossa família Freire de Andrade Santiago, mais propriamente, família Santiago. O meu avô Luís Pereira Santiago dedicou a vida à Quinta, para as filhas, um dia venderem o nosso legado. Vendeu-se em 2007, desde, aí que fiquei lá parte de mim pertence lá, desde aí que ando na metade. Perdi a alegria, o meu espaço, que me deu tanta felicidade e boas memórias em família, quando, ainda estava tudo bem, aparentemente. Vou copiar um texto que fiz em 2022. 
Eu digo e deixo aqui registado. Um dia que fique rica ou que case com um ricaço, vou voltar a ter aquela Quinta de volta, mas desta vez, sem sanguessugas e discórdias. Será, só minha e eu voltarei a ser completa. Pode estar em ruína, pode estar a cair aos pedaços, mas vai ser minha novamente. Assim o universo me me dê ouvidos e me atenda. Porque o proprietário eu conheço o Senhor Américo e numa altura de dificuldade apresento-lhes uma proposta que não poderão recusar. 

texto escrito em 2022. 

" Precisamente, há 15 anos, atrás que a Quinta do Canal, foi vendida. Estou sempre a cogitar no mesmo, mas , as melhores memórias que tenho desta breve vida tiveram lugar neste espaço. Um espaço com vida, sorrisos, boas vivências, um lugar com parte da minha história que aqui se formou e aqui se desenvolveu. 
No entanto, as coisas tomaram um rumo muito difícil de se superar, anos e anos a fio com a sede de poder, intrigas, lutas infinitas até à data da venda, Março de 2007. Sempre fui contra a venda mas nada podia fazer, de que valia a minha palavra? Na família, a única a gostar realmente desta Quinta fui eu e não sou de me vangloriar (nada disso), sei do que falo, mas eu própria tinha uma visão ampla (caso eu estivesse à frente, isto nos meus pensamentos), tinha tanto potencial, mas tanto, que nem digo o que eu faria com esta Q.C. À parte do potencial, foram as memórias que hoje me magoam e deixam saudade de tempos em que outrora fui feliz, livre, e aproveitava o campo como ninguém .... tantas aventuras que por ali vivenciei. Já superei muitas perdas na vida, mais perdas, do que ganhos ... mas esta é insuperável a todos os níveis. Em (sonhos) ainda a visito, curiosamente, só consigo rever o corredor gigante, a cozinha, o quarto do meu primo Zé Diogo ( éramos muito unidos), que era logo o primeiro e o meu que era o penúltimo com acesso à casa de banho. Muitas mágoas ainda por curar e para soltar. Metade da minha alma vive ali (ainda) ... um dia irei superar! Eu acredito. 

Até lá ... ainda a vou visitando em (sonhos) e caso volte lá (um dia) será para encerrar este capítulo doloroso e finalmente ter a paz que preciso! "

.... 

Um dia, um dia, serei a Ceo da Q.C. 
Um dia, a Quinta vai voltar a ter vida digna e vou honrar o meu avô. 
Será só minha, voltará a ser minha. 
Será o segundo dia mais feliz da minha vida. 

Quem, sabe, poderá ser esta a minha missão. 

Desabafos e experiências e sonhos. 
O sonho ainda comanda a vida e o que dizemos hoje amanhã poderá ou daqui a uns anos concretizar-se. 

Assim seja. 





quinta-feira, 13 de março de 2025

Tem dias...

Tem dias em que já não aguento mais os meus pensamentos acelarados que dão cabo de mim e me dão mais cansaço psicológico do que o físico. 

O meu gato dá comigo em louca, mia, mia, mia por atenção e mimo, mais do que já tem, chego até a alucinar... às vezes penso em dá-lo mas o carinho que sinto por ele é mais forte do que este pensamento terrível. Não seria capaz, apenas um desabafo, porque há dias em que ele não ajuda nada. 

A piorar a situação a minha mãe já não faz nada sem mim, já não fazia, mas agora com a idade a avançar e menos paciência e esgotada da vida vejo a parte motora dela um pouco mais debilitada e não se lembra de algumas coisas. Faz parte da vida, quando se chega aos 72, com muita responsabilidade em cima e episódios desgastantes da vida dela que só ela saberá. Assusta-me ver o tempo a passar, eu aqui, a viver ainda com ela a presenciar tudo e eu mal vivi a minha vida, essa é que é essa. 

Se soubessem a tristeza que me passa pela alma se é que ainda a tenho, pensavam : "- mas esta sorri, está sempre bem disposta, sorridente e simpática para toda a gente" . Maior mentira. É um disfarce. 

Só eu sei a vontade que às vezes tenho de desistir da vida... Já não vejo nada de belo nela, o futuro, já nem quero saber (até tenho medo), o presente, é o que é, é a realidade triste. 

Ando, apenas, entusiasmada com o meu curso e com o que vou receber e da possibilidade de ficar empregada de vez. É a minha última chance a minha última, força. Depois, disso só Deus para me agarrar e fazer um milagre, antes, que eu faça uma asneira. 

E, hoje, perdi um dente da parte de trás. 

A vida é bela mesmo... Encantadora. 
Apenas o sol brilha, esse, continua sempre belo ao entardecer e ao amanhecer. 


sexta-feira, 21 de fevereiro de 2025

Do baú...


Sentada, na minha cozinha acompanhada pelo meu portátil ligado e enquanto espero as atualizações para ver se isto melhora a qualidade do sinal da internet, ouço o meu gato a miar e a chamar-me, entretanto, aproveito e escrevo com a nostalgia e saudade de um tempo genuíno onde tudo era ou pelo menos eu achava a amizade pura. 
Relembro, que conheci esta minha "amiga", por cartas, através de uma revista chamada Bravo Portuguesa, ela era fã de Kelly Family e eu também, mas eu vivia praticamente isolada do mundo exterior, sem amizades, apenas, no colégio cristão em que só tinha uma amiga mas em contrapartida tinha a família toda unida o mais importante para mim a família e ainda tinha a minha avó, a mulher que mais amei e que me amou. Era o ano de 1997, o ano que conheci esta banda, fiquei deslumbrada, fascinada e apaixonada por eles todos e pelo meu primeiro Crush o Paddy. Nisto, eu, sem amizades comprava tudo o que era deles, tinha o HI5 o Orkut e lá ia fazendo algumas amizades assim e procurava por quem tinha os mesmos gostos que eu. E assim foi, lá, por volta de 2000, comprava a revista Bravo e havia uma secção só para trocar correspondência e tinham a morada para enviar as cartas, chamavam-se as Pen Pals, eu procurava por quem era fã de Kelly Family ou que teriam gostos parecidos de artistas que eu ouvia na época! Vi a Janete numa das edições dessa revista e lá e tratei de enviar uma carta de apresentação toda bonitinha e ao meu jeito. Recebo a carta dela umas semanas ou meses, depois, com uma apresentação impecável e digo, sinceramente, com uma certa "inveja branca" da criatividade que ela tinha, o cuidado com a caligrafia, com a carta e escrevia muito bem. Ficámos amigas imediatamente e começámos a trocar imensas cartas ao longo dos anos e a enfeitar os envelopes com fotos dos Kelly, principalmente do nosso Crush, Paddy e os irmãos, às vezes eram os 3, Paddy, Maite e o Angelo, outras vezes era a Barby, os carteiros coitados nunca viram envelopes tão giros e com fotos assim na vida deles, hoje, devem recordar, se ainda tiverem a memória boa, devem rir ... confesso que até tinha medo que as roubassem de tão giras que ficavam e muitas dessas cartinhas foram parar à caixa de correio, da Rua José Calheiros n. 10, era, uma alegria constante e aquela vontade de voltar para casa para ver se havia correio para mim, porque por norma ou era para o meu pai ou para a minha mãe, enfim... mais do mesmo... contas para pagar. Chegou, a altura, que eu e a Janete combinámos de marcar uma visita,  eu ir à casa dela conhece-la pessoalmente já que tínhamos trocado tantas cartas e tínhamos situações de vidas tão parecidas. E assim, foi. Foi tudo como combinado. Em Abril de 2008, passei uma semana com ela ou um fim de semana, já não me recordo bem. Foi logo uma empatia grande, a mãe dela tratou-me super bem e a mousse de chocolate que a Ana Maria, fazia era divinal, muita mousse comi e a pizza caseira mnham, uma delícia, trouxe receitas comigo. Eu e a Janete tirámos imensas fotos que ficaram super giras e lembro que desenhámos na parede dela, ela tinha um jeito imenso para o desenho. Cantámos, dançámos, conversámos a noite toda, rimos e rimos e confidências trocadas durante as cartas e naquele, fim de semana. Voltei lá em Setembro, desse ano. Continuámos com as cartas depois disso e de estarmos mais vezes juntas e assim foi. As cartas foram diminuindo porque as responsabilidades iam aumentando e o tempo era escasso mas iam chegando. 


Hoje, numa sexta-feira à noite, para desanuviar dos problemas e a tentar resolver a cena do computador, vou buscar os meus velhinhos mp3's que ainda possuo e vou ver as fotos, uma a uma, entre milhares. Deu a saudade, vejo, a Janete daquele tempo, pura e genuína sem eu sequer imaginar que ela pudesse vir a ter inveja ou fazer-me maldade pelas costas, porque comigo nada fica, oculto. Quando temos uma vida parecida com uma amiga, em termos de tudo, há sempre aquele gosto de competição, do, eu quero ser a primeira em tudo e creio que foi isso que aconteceu, nem tanto pela inveja, mas a competição de ela ter tudo primeiro e eu ficar sem nada. 
Sinto saudade desse tempo, olho, volto a olhar para as minhas fotos dessa altura e vejo uma Joana na flor da idade, sem o qualquer jeito para roupa ou senso de fashion, cabelo desajeitado, um completo desastre, com os dentes arranjados, a pele limpa, magrinha como tudo, mas, com uns olhos cheios de vida e de esperança de um futuro melhor e promissor.


Olho para as fotos minhas com a Janete, que tirámos e sinto pena, pena dela, bem no fundo, perdeu uma amiga, perdeu-me a mim, porque eu posso tolerar certas coisas, mas, maldades pelas costas, jamais. Hoje, agradeço aos kelly porque me introduziram ao mundo e às amizades que me trouxeram, umas que permanecem até agora firmes e fortes, mas a Janete, ela, já não faz parte deste meu tempo, hoje. 

Recordo com saudade e nostalgia principalmente por mim. Como eu queria voltar atrás no tempo a saber o que sei hoje, teria sido tudo tão diferente. Não teria passado pelo que passei e no final de 2008 para cá, passei o inferno na terra. Mas continuamos, seguimos... 
Haja, alguma lição nisso, nunca confiar demasiado em ninguém, sempre prestar atenção aos pequenos sinais que as pessoas vão dando e principalmente a tudo o que elas gostam ou coisas com que se identifiquem, sejam fadas, sejam duendes, sejam bruxas, tudo isto diz muito sobre elas. No caso ela apelidava-se de Bruxinha e tinha uma bruxinha desenhada por ela na parede do quarto, que eu na altura achei um máximo, e tinha um livro antigo daqueles que passam de geração em geração ( acho que me faço entender ) e cheguei até a tocar nele. Ela deixou de propósito em cima da cama para eu ver. 
A vida da Janete andou e a minha parou no tempo. 

Em 2014, ela voltou a aprontar, desta vez, em minha casa e foi ai que comecei a testá-la e fiz alguns testes simples e a partir daí, contacto zero, bloqueada em todo o lado. Podia ter aberto os olhos naquela altura e evitado estragos, mas, vamos lá adivinhar. 

Aprendi a lição mas custou-me a vida a ingenuidade é cruel e o acreditar que todos são bons, pode realmente, estragar muita coisa na nossa vida. 


























Porquê???

A minha vida as vezes parece um karma.  Não tenho alegria, mas tenho motivação para superar obstáculos e lutar por aquilo que qu...