sexta-feira, 21 de fevereiro de 2025

Do baú...


Sentada, na minha cozinha acompanhada pelo meu portátil ligado e enquanto espero as atualizações para ver se isto melhora a qualidade do sinal da internet, ouço o meu gato a miar e a chamar-me, entretanto, aproveito e escrevo com a nostalgia e saudade de um tempo genuíno onde tudo era ou pelo menos eu achava a amizade pura. 
Relembro, que conheci esta minha "amiga", por cartas, através de uma revista chamada Bravo Portuguesa, ela era fã de Kelly Family e eu também, mas eu vivia praticamente isolada do mundo exterior, sem amizades, apenas, no colégio cristão em que só tinha uma amiga mas em contrapartida tinha a família toda unida o mais importante para mim a família e ainda tinha a minha avó, a mulher que mais amei e que me amou. Era o ano de 1997, o ano que conheci esta banda, fiquei deslumbrada, fascinada e apaixonada por eles todos e pelo meu primeiro Crush o Paddy. Nisto, eu, sem amizades comprava tudo o que era deles, tinha o HI5 o Orkut e lá ia fazendo algumas amizades assim e procurava por quem tinha os mesmos gostos que eu. E assim foi, lá, por volta de 2000, comprava a revista Bravo e havia uma secção só para trocar correspondência e tinham a morada para enviar as cartas, chamavam-se as Pen Pals, eu procurava por quem era fã de Kelly Family ou que teriam gostos parecidos de artistas que eu ouvia na época! Vi a Janete numa das edições dessa revista e lá e tratei de enviar uma carta de apresentação toda bonitinha e ao meu jeito. Recebo a carta dela umas semanas ou meses, depois, com uma apresentação impecável e digo, sinceramente, com uma certa "inveja branca" da criatividade que ela tinha, o cuidado com a caligrafia, com a carta e escrevia muito bem. Ficámos amigas imediatamente e começámos a trocar imensas cartas ao longo dos anos e a enfeitar os envelopes com fotos dos Kelly, principalmente do nosso Crush, Paddy e os irmãos, às vezes eram os 3, Paddy, Maite e o Angelo, outras vezes era a Barby, os carteiros coitados nunca viram envelopes tão giros e com fotos assim na vida deles, hoje, devem recordar, se ainda tiverem a memória boa, devem rir ... confesso que até tinha medo que as roubassem de tão giras que ficavam e muitas dessas cartinhas foram parar à caixa de correio, da Rua José Calheiros n. 10, era, uma alegria constante e aquela vontade de voltar para casa para ver se havia correio para mim, porque por norma ou era para o meu pai ou para a minha mãe, enfim... mais do mesmo... contas para pagar. Chegou, a altura, que eu e a Janete combinámos de marcar uma visita,  eu ir à casa dela conhece-la pessoalmente já que tínhamos trocado tantas cartas e tínhamos situações de vidas tão parecidas. E assim, foi. Foi tudo como combinado. Em Abril de 2008, passei uma semana com ela ou um fim de semana, já não me recordo bem. Foi logo uma empatia grande, a mãe dela tratou-me super bem e a mousse de chocolate que a Ana Maria, fazia era divinal, muita mousse comi e a pizza caseira mnham, uma delícia, trouxe receitas comigo. Eu e a Janete tirámos imensas fotos que ficaram super giras e lembro que desenhámos na parede dela, ela tinha um jeito imenso para o desenho. Cantámos, dançámos, conversámos a noite toda, rimos e rimos e confidências trocadas durante as cartas e naquele, fim de semana. Voltei lá em Setembro, desse ano. Continuámos com as cartas depois disso e de estarmos mais vezes juntas e assim foi. As cartas foram diminuindo porque as responsabilidades iam aumentando e o tempo era escasso mas iam chegando. 


Hoje, numa sexta-feira à noite, para desanuviar dos problemas e a tentar resolver a cena do computador, vou buscar os meus velhinhos mp3's que ainda possuo e vou ver as fotos, uma a uma, entre milhares. Deu a saudade, vejo, a Janete daquele tempo, pura e genuína sem eu sequer imaginar que ela pudesse vir a ter inveja ou fazer-me maldade pelas costas, porque comigo nada fica, oculto. Quando temos uma vida parecida com uma amiga, em termos de tudo, há sempre aquele gosto de competição, do, eu quero ser a primeira em tudo e creio que foi isso que aconteceu, nem tanto pela inveja, mas a competição de ela ter tudo primeiro e eu ficar sem nada. 
Sinto saudade desse tempo, olho, volto a olhar para as minhas fotos dessa altura e vejo uma Joana na flor da idade, sem o qualquer jeito para roupa ou senso de fashion, cabelo desajeitado, um completo desastre, com os dentes arranjados, a pele limpa, magrinha como tudo, mas, com uns olhos cheios de vida e de esperança de um futuro melhor e promissor.


Olho para as fotos minhas com a Janete, que tirámos e sinto pena, pena dela, bem no fundo, perdeu uma amiga, perdeu-me a mim, porque eu posso tolerar certas coisas, mas, maldades pelas costas, jamais. Hoje, agradeço aos kelly porque me introduziram ao mundo e às amizades que me trouxeram, umas que permanecem até agora firmes e fortes, mas a Janete, ela, já não faz parte deste meu tempo, hoje. 

Recordo com saudade e nostalgia principalmente por mim. Como eu queria voltar atrás no tempo a saber o que sei hoje, teria sido tudo tão diferente. Não teria passado pelo que passei e no final de 2008 para cá, passei o inferno na terra. Mas continuamos, seguimos... 
Haja, alguma lição nisso, nunca confiar demasiado em ninguém, sempre prestar atenção aos pequenos sinais que as pessoas vão dando e principalmente a tudo o que elas gostam ou coisas com que se identifiquem, sejam fadas, sejam duendes, sejam bruxas, tudo isto diz muito sobre elas. No caso ela apelidava-se de Bruxinha e tinha uma bruxinha desenhada por ela na parede do quarto, que eu na altura achei um máximo, e tinha um livro antigo daqueles que passam de geração em geração ( acho que me faço entender ) e cheguei até a tocar nele. Ela deixou de propósito em cima da cama para eu ver. 
A vida da Janete andou e a minha parou no tempo. 

Em 2014, ela voltou a aprontar, desta vez, em minha casa e foi ai que comecei a testá-la e fiz alguns testes simples e a partir daí, contacto zero, bloqueada em todo o lado. Podia ter aberto os olhos naquela altura e evitado estragos, mas, vamos lá adivinhar. 

Aprendi a lição mas custou-me a vida a ingenuidade é cruel e o acreditar que todos são bons, pode realmente, estragar muita coisa na nossa vida. 


























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